domingo, 19 de março de 2017

ESQUECI TEU NOME


ESQUECI TEU NOME
Vânia de Farias.

Não me recordo teu nome
só sei que eras gentil
tua pela branca qual mármore
teu rosto, rosa e febril

só me recordo que nós
estudávamos numa escola
pequenina como noz
mas, de nossa professora

eu me recordo ainda hoje
seu nome: "Dona" Clarisse
mulher bela e elegante...
Com classe, esguia e fina

nos ensinou as primeiras
letrinhas do alfabeto
lhe sou grata ainda hoje
por seu carinho e afeto.

Mas você, por onde anda?
Já és homem, isto é claro
sou mulher, já tenho filhos
e meus netos, já chegaram

O menino é Sol Siddharta
uma estrela à brilhar
no escuro de meus dias
quando teima em espantar

às lembranças da infância
da pureza de nós dois
eu passava em tua casa
pra escola íamos depois

e então nossas mãozinhas
dadas e bem apertadas
seguíamos em direção
a nossa segunda casa

eis que ainda considero
como extensão do meu lar
a escola em que estudo
e conheço um outro mundo

com outros que estão lá
a trocar experiências
trazidas de outros cantos
meus mestres ainda ensinam

coisas com as quais
me encanto...
transformando a ignorância
que ainda trago acesa

em luzes para os meus olhos
em brilho pra minha mente
e fico extasiada, com o que
vejo por lá... São fatos

são outras estradas
nas quais passo a caminhar
a procura de mim mesma
do meu reino encantado

eis que sempre me encanta
o novo, o ignorado
quando trazido a lume
pelos meus mestres amados...

Voltando ao nosso tempo
seguíamos em direção
aquela pequena escola
e dávamos as nossas mãos

para aprender as lições
que a nossa professora
já havia preparado
preparando o futuro

que um dia surgiria
daquele tempo passado.
O que ficou mais latente
foram as manhãs de sol

eu e tu com lancheirinhas
a tiracolo, íamos sós
eis que nossa escolinha
ficava perto de casa

e naquele tempo ainda
não havia tanto medo
não havia a violência
dos tempos novos
de agora

seguíamos,
quais soldadinhos
de chumbo
pra nossa escola.

Vânia de Farias Castro.

Em agosto de 2014.

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