quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Eu não nasci assim...
Fui me construindo ao longo do tempo
derrubando muros e paredes desnecessárias
caiando cada ambiente com cores diferentes
Eu não nasci assim...
Algumas pedras recebidas, usei como alicerce
também lapidei outras criando belas imagens
de gratidão e saudade, pois aprendemos também
com os cortes da vida, com as agressões sofridas
e com as incompreensões necessárias
Eu não nasci assim...
Fui acolhida com imenso amor
fui amada pelos meus ancestrais
como se ama a própria vida
e cuidada como uma árvore
que para crescer, necessita
de água, sol, e algumas podas
Eu não nasci assim..
Eu não nasci assim...
E pretendo continuar me construindo
e nascendo a cada dia
seguindo o exemplo de Helio
acalmando-me a cada noite
aceitando minhas fases como a querida Selena.
Eu não nasci assim!
Vânia de Farias Castro.
Em 16 de agosto de 2019
Imagens Google
A mata chora
nosso coração sangra
de dor, angústia e medo
o pulmão asfixiado
só fumaça e cheiro de morte
os rios choram
em seu leito,
escorre o sangue dos índios
poucos são os que os entendem
poucos são os que os veneram
poucos são os que os preservam
poucos são os que choram suas lágrimas
lágrimas de rio...
E esses poucos estão morrendo
com os rios.
As aves voam
sem rumo, sem norte
deixam seus ninhos e aves implumes
migram como os antigos sertanejos
e sobreviverão em degredo
ou ficarão perdidos pelo caminho
as flores secam
o fogo voraz com fome não sossega
suas labaredas alcançam nossos pesadelos
nossa mente em algazarra já não compreende
cadê nossos elfos e duendes?
Também são devorados pelo fogo
da ganância dos homens
ignorância crônica
escrúpulos em debandada
foram queimados com as matas.
Vânia de Farias Castro.
Em 20 de agosto de 2019
Imagens Google.
É preciso muito estômago
para engolir tanta loucura
estômago de ruminantes
vida de ruminantes
É preciso muito estômago
para engolir tantos cururus
foguetões com a morte de uns
aplausos com a fome de tantos
alacridade com a miséria de outros
Bandido saindo pelo ladrão
matando ladrão
desde que o ladrão roube pouco:
uma côdea de pão
uma lata de leite paro o filho
sardinhas enlatadas
como nossas gargantas
já não precisamos de estômago
algumas tragédias não são digeríveis
policiais negros, pobres, famintos
matando negros indigentes com fome.
E o estado comemora
Ave pistolas de todos os calibres!
Fuzis de todos os fabricantes
Avante América genocida
estamos te esperando
com a boca escancarada
mas já sem dentes!
Vânia De Farias Castro
Em 20 de agosto de 2019
Imagens Google.
Saudade...
Um mosquito zumbindo
baixinho, ritmado
nos rodeando sem escrúpulo
com a desenvoltura de quem
sempre esteve presente
mas quietinho...

A espera do momento
de zumbir, azucrinar
como pequenos alfinetes
tocar nossos sentidos
devagar, como quem acaricia
Saudade...
Trabalha feito as formigas
zomba como as cigarras
de jeito nos agarra
com fino requinte
sugere que o passado
não passou
ou então esqueceu de partir
de passar a limpo
os rabiscos mal feitos
os rascunhos imperfeitos
canhestros, demodé
e nos descobrimos à mercê
de borboleta graciosa
saindo do casulo
como quem se veste
para ir a missa aos domingos
ou passear no parque
com nossas lembranças
inquietações desejos memórias
dando passos graciosas
para nos deter no passado!
Vânia De Farias Castro
24 de agosto de 2019
Imagens Google.
Ah minha querida Maia!
Como os homens se enganam
vivem um castelo de sonhos
pensando que são exatas
suas ciências esquisitas
alquimistas inveterados
misturam tudo em bocados
se lambuzam na conquista
numa hora Epimeteu
noutra Narciso em seu lago
Aquiles com pés quebrados
fugindo de inundações
os corações dos amantes
são enfeitados com flores
após noite de amores
caem na própria exaustão
não escutam Prometeu
preparam lindos presentes
qual Pandora inconsequente
distribuindo aflições!
Vânia de Farias Castro.
Imagens: Google
Eu e a bolha
não permito que invadam minha bolha
ela é redonda, mas é plana feito a terra
há algum tempo, tentam penetrá-la
ergo muros altos, fortalezas que me enterram
minha bolha é confortável
cabe a mim, e aos meus admiradores
uns tantos são apenas bajuladores
mas esses são úteis na minha translúcida bolha...
Ela é meu castelo
as vezes desmorona quando estou sozinho
quando olho no espelho e não gosto do que vejo
um garoto mimado, esperneando a cada frustração
vocês existem para atender meus desejos!
As vezes uma mulher audaciosa observa minha bolha
essas são as mais perigosas, astuciosas
não acredito que sejam criativas
acho que plagiam o mundo e seus encantos
enquanto eu, sou o único criador de minhas vacas
e essa mulheres mais parecem ovelhas negras
azuis, cor de rosa e algumas
se pintam de verde para me confundir...
Tenho vontade de bater nelas
mas se assim o fizer podem me considerar violento
e não sou violento, apenas ressentido
um pouco irascível talvez
mas apenas quando elas roubam meus confetes
eu que lutei por tantos anos,
construindo minha bolha
para algumas tontas sem qualquer esforço
e sem a pulseira de identificação
tentarem adentrar a minha bolha?
Não. Não e não!
Fiquem fora de minha querida bolha!
Vânia de Farias Castro.
Em 31 de agosto de 2019
Imagens Google.
Sentimento louco
raiva, impotência dor e medo
os humanos me assustam
causam-me calafrios
fico ofegante, a respiração falha
é difícil viver entre canalhas
malfeitores travestidos de humanos
produtores da miséria, desencanto
aos pinotes procurando holofotes
ou um mágico que os transformem em encanto
Doryan sem as rugas despencando
de suas faces em sorrisos horripilantes...
O que causa torpor é a comédia
as mentiras jogadas feito penas
de uma torre onde a irmã reza a novena
a beata quieta e elegante
mas a bruxa de má, não se contenta
se alimenta de brigas e contendas
uma hora seduz qual um mecenas
noutra hora escorraça de sua tenda
só queria entender o que alimenta
esses bichos infelizes perigosos
se as câmeras ou aplausos em suas cenas
ou a farsa hedionda nesse córrego!
Vânia De Farias Castro
Em 31 de agosto de 2019
Imagens/ Google.
Não posso lutar toda guerra
nem brigar todas as lutas
mas posso evitar disputas
inúteis contraproducentes.
Não luto todas as guerras
mas a minha luta interna
dentro de mim, somente
prepara-me pra muitas guerras
minha e de toda gente
é uma luta diária
contra meus próprios vícios
preguiça, tola vaidade
ingratidão que despista
um ego, desproporcional
doente, quase infartando
continuarei lutando
até meu último momento
evitando os lamentos
letargia sem propósito
quero lutar contra o ódio
que tenta nos destruir
amando mais, e querendo
ver o inimigo entender
que a paz é meiga amiga
com seu manto a proteger
todos nós, vítimas e algozes
aguardando o entardecer
observando a aurora
com notícias de ventura
quando essa guerra for finda
não haverá amargura
um ao outro, proteger!
Vânia de Farias Castro.
Imagens Google.
- Quando vens aqui?
- Quando me convidarem
- A nossa casa é a tua casa
minha querida.
Quando te convidamos para nossas vidas
ainda não tinhas sido gerada
estavas na erraticidade
aguardando uma nova oportunidade
E nós, com o mesmo desejo:
do reencontro em novas paisagens
esperamos-te com esperança e júbilo
com carinho e certeza
de que nossa caminhada
abriria novas estradas
novas luzes, para iluminarem
os caminhos perdidos
escuridão de nossas consciências
ferroadas nos corações amorosos
deserção, após fervorosas promessas
traição após confiança depositada
Agora é a vez do recomeço
de levantarmos após numeras quedas
de lenir com o bálsamo da paciência
as feridas abertas de antanho
de cobrir com o manto da paz
nossos corações cansados da guerra
nossas mãos calejadas nos crimes
nossos pés, acostumados a espezinhar
Agora é a hora, minha querida.
O tempo urge, e a felicidade nos espera
somos filhos da luz, herdeiros do cosmo
e fomos fadados à angelitude.
Bem vinda querida!
Vânia de Farias Castro.
Em 24 de setembro de 2019
Imagens: Google.
E alguns vivem a espera de migalhas
que aplaquem sua fome de viver
só recebem poucas sobras e mortalhas
um enterro de indigente a fenecer
Esperei pelas noites e pelos dias
Sherazade com esperança alvorecer
tanta história, tantas noites acordada
com a morte decretada ao anoitecer
E alguns vivem a espera de retalhos
remendados ou cerzidos nos seus fios
e quem sabe sua pele aquecida
pelos golpes desferidos pelo frio
Esperei por pedaços de tecidos
uma manta colorida me cobrir
recebi uns jornais velhas notícias
mais histórias repetidas a me sorrir
E alguns vivem a espera de cuidados
dos amigos, de seus filhos ou amantes
só recebem ironia indiferença
não se sabe se presentes ou distantes
Esperei pelos cuidados prometidos
mas promessas são mais fáceis de esquecer
recebi na espera a descoberta
que só eu posso cuidar-me sem sofrer.
Vânia De Farias Castro.
Em 12 de setembro de 2019
Imagens Google.
Ainda bem que tenho o mar por cobertor.
Meu amor vive como embarcado,
sempre em alto mar me deixando à deriva
envia-me algumas conchas
cartões já bem amassados
desgastados pelo tempo
tempo de distância

Em suas poucas cartas,
ele diz que visita algumas tabernas
toca algumas moças
e que as confunde comigo
Eu nunca entrei numa taberna
também não bebo nem fumo
nunca me viciei, nem em amar
Já ouvi falar em mulheres que amam demais
não sei amar demais, nem de menos
só sei amar. Aliás, acho que sei
meu amor é meio exagerado
promete demais, se empolga demais
mas ama de menos...
As vezes envia-me pequenas relíquias
em forma de poemas
As vezes apenas o silêncio...
E assim fica meses, em alto mar
penso que ele só ama à distância
e a distância...
Ainda bem que tenho o mar por cobertor.
Vânia De Farias Castro
Em 15 de setembro de 2019
Imagens: Google.
Eu não choro por chorar
choro porque dói
choro porque corta
choro porque aflige
Eu não choro por chorar
choro pelos pequenos
que nem aprenderam andar
e já são aprisionados
pelo império obsceno
Eu não choro por chorar
choro pelas mulheres
transformadas em objetos
por abjetos canalhas
após usadas, sugadas
são jogadas como as cinzas
de tubos de nicotina
Eu não choro por chorar
choro pelos velhinhos
escravos sem a senzala
tendo a fome por destino
mortos já estão em vida
vida amarga repetindo
Eu não choro por chorar
choro pelos que sonham
pelos jovens abatidos
pela polícia medonha
Eu não choro por chorar
choro porque não aprendi
não aprendi a matar!
Vânia de Farias Castro.
17 de setembro de 2019
Imagens: Google.
Um dia me vesti de anjo para te salvar
noutro de doida para te enlouquecer
Um dia me vesti de santa para te proteger
noutro de Medeia para te ver sofrer
Um dia me vesti de messalina para te agradar
noutro de abelha rainha, para te destruir
Um dia me vesti de deusa para te encantar
noutro de Pandora para te enganar
Um dia me vesti de monja para te aquietar
noutro de dançarina para te excitar
Um dia me vesti de arvore para te dar sombra
noutro de deserto para matar-te de sede
Hoje só me visto de mim...
Mas continuo te matando
destruindo, enlouquecendo
confundindo, encantando
mas também morrendo.
Quando a pele é vestimenta
não conseguimos descer
às profundezas do gozo
sem nos afogar
quando a pele é vestimenta
não consegue esconder as cicatrizes
as marcas do tempo, nem os testemunhos
das dores que a alma tenta esconder!
Vânia De Farias Castro
Em 15 de setembro de 2019
Imagens: Google
Fugi de ti
não suportava mais te esperar
levantei e olhei para teu rosto uma ultima vez
para tua sombra que insistia em permanecer
após o último encontro
senti novamente teu cheiro:
de mar, de sal, de algas...

Fugi de ti
para lugares onde não houvessem outros tu
com a magia que corria de teus dedos
nas cordas firmes e retesadas de meu coração
Fugi de ti
mas jamais consegui me distanciar o suficiente
continuavas em minha pele
em meus pesadelos em minha mente
em meus devaneios desejando-te mais
desejando cada noite e cada manhã
quando acordava entre tuas coxas
Fugi de ti
mas em verdade, estava apenas fugindo de mim!
Vânia de Farias Castro.
Em 15 de setembro de 2019
Imagens: Google
Viver entre humanos é complicado
perigoso até, e desumano
apedrejam, criticam esculhambam
noutro dia, copiam alegremente
é uma gente letrada indecente
enrustida, sem critérios agonizando
vivem a vida com regrinhas aplainando
esquecendo dos princípios que nos honram
ontem, a crítica venenosa sem escrúpulos
hoje imita, pinta e borda pra ter público
ontem esnobe, grosseiro hostilizando
só a inveja em sua mente incendiando
hoje vejo as tentativas de agradar
mas usando as receitas antes jogadas
aos dez ventos dos maledicentes
minha náusea é perceber que os inocentes
hoje úteis, amanhã sobreviventes
sempre à mingua dos canalhas e serpentes
A distância e prudência é meu remédio
Gracian, me socorre desse pejo
dividir esse espaço com o engodo
onde a máscara é sapiência e segredos
entretanto a face horrenda é o que vejo
refletido nos cristais e nos espelhos
Ah Narciso, deixa em paz quem ver mais longe
e caminha sem as peias do desejo
de ser mais, superior aos conterrâneos
escondendo seus complexos e seus medos.
Vânia De Farias Castro
Em 19 de setembro de 2019
Imagens Google

Certificado


Biografia

Vânia de Farias Castro, natural de João Pessoa, estado da Paraíba, Brasil, é advogada, arte educadora e artista plástica, diretora e professora na Vert Oficina das Artes, onde se dedica ao ensino de pintura a crianças e adultos, bem como a alunos com necessidades especiais. vem escrevendo poesias há mais de 20 anos, participou de uma antologia Luso/Brasileira. Mais informações sobre seu trabalho, no blog http://vaniadefariasescritora.blogspot.com/.


Vladimir Maiakóvski é o maior poeta russo moderno, aquele que mais completamente expressou, nas décadas em torno da Revolução de Outubro, os novos e contraditórios conteúdos do tempo e as novas formas que estes demandavam.
Maiakóvski deixa descortinar em sua poesia um roteiro coerente, dos primeiros poemas, nitidamente de pesquisa, aos últimos, de largo hausto, mas sempre marcados pela invenção. "Sem forma revolucionária não há arte revolucionária", era o seu lema, e nesse sentido Maiakóvski é um dos raros poetas que conseguiram realizar poesia participante sem abdicar do espírito criativo.

Nossas Maravilhas

Estão destruindo nossas maravilhas
meninas, meninos, famílias inteiras
mulheres e negros na afoita fogueira
da insanidade dos monstros na feira
nos super mercados, pedaços de carne
valem mais que uma vida!

Estão destruindo nossas maravilhas
são aves implumes por feras abatidas
a cidade maravilhosa está repleta de fuzis
e seus encantos dando lugar ao cântico fúnebre.
Nossas maravilhas viajando num ataúde
deixando-nos órfãos, enlutados e aparvalhados
já não sabemos o que, e como fazer
já não sabemos evitar que sangre
que nossa impotência seja maior que as mortes
que nossa inércia seja maior que a destruição
estamos morrendo de inanição
dos sentidos, sentimentos, emoções
nossa indiferença não tarda a nos matar
nosso dia também chegará
e nos encontrará dormindo
Não haverá tempo para lutar
Vânia De Farias Castro
Em 21 de setembro de 2019
Confesso que queria...
Queria acreditar
na ingenuidade dessas pessoas
que fazem suas escolhas e não se responsabilizam
foram todos manipulados
foram enganados
são coitadinhos...

Confesso que não queria acreditar
que suas escolhas são conscientes
escolhem quem os representem
quem pensa como eles
discriminam como eles
desrespeitam como eles
abominam como eles
só não vivem como eles
os poderosos e seus interesses vis
os alienados e suas ambições
de serem também poderosos
de saírem de sua mediocridade econômica
e partem para a indecência
querem a parecênça
usando marcas famosas made in China
A China é de todos nós
copiam tudo que econtram
mas não se enganem:
são autorizados pelas grandes marcas
para enganar os incautos
atingirem as classes de c a z.
criam também a ilusão
que não precisam de liberdade
acreditam que são livres
para escolher qualquer roupa
qualquer bolsa, ou forca
qualquer opioide
quando a fatura lhes visitam!
Vânia De Farias Castro
Em 26 de setembro de 2019
Imagens: Google