terça-feira, 31 de janeiro de 2017

ESPERANÇA

ESPERANÇA
Vânia de Farias

Quando te vi chegando
de mansinho, e tão lenta
meus lábios tremiam tanto
de medo da violência


medrando qual erva má
daninha qual a tormenta
assombrando pobres mães
vendo seus filhos já mortos

assassinados por homens
que jamais sentem remorso
ao ceifarem débeis vidas
para suprirem o ócio

de suas vidas vazias
de empatia e compaixão
só a loucura vadia
nas ruas da prostituição

eis que são pagos por nós
cidadãos necessitados
de proteção e cuidados
mas só temos assombração.

Uns se aproveitam da farda
da arma e munição
lhes entregue sem critério
por esta grande nação.

Mas escolhem outro caminho
do crime e da maldade
são piores que os assassinos
que vivem em sociedade

escondidos, de nós outros
com falsa identidade
mas estes são ostensivos
matam sem qualquer escrúpulo

e ainda caluniam
a vítima e sua família
ainda vestida em luto
com astuta covardia
Vânia de Farias
Em 23 de abril de 205.

DESALENTO

DESALENTO
Vânia de Farias

Difícil entender o que hora passa
na mente e coração do ser humano
se dor e sofrimento é argamassa
que cobre a alvenaria do engano


tentei te entender, sentir contigo
a simpatia pelos outros, teus iguais
mas eis que me senti mais oprimida
na hora do adeus, não senti mais

apenas a dor profunda da revolta
o medo a visitar meu coração
pavor por entender que estamos sós
na louca dança dessa solidão.

Vânia de Farias.
Em 26 de julho de 2016

MINHA VOZ

MINHA VOZ
Vânia de Farias

Quando bicas os meus lábios
acorda-me para gritar
como poder continuar
na apatia em que vivo?


Meus amigos perseguidos
com fúria e crueldade
vejo medrar a maldade
nos salões onde estagio

egocêntricos grosseiros
bajuladores embusteiros
vivem sempre a espreita
esperando com soberba

que um de nós escorregue
para então se lambuzarem
na lama em que rastejam
víbora! Por que persegues?

quem vive com honradez
vejo tua pequenez
quando tentas escondê-la

hoje sofres o abandono
da razão em tua mente
teu mundo é o que sentes:
humilhação e revolta

essa empáfia de pavão
não esconde os teus pés
toscos, feios, lamacentos
sustentando um cadáver

estás morto para a vida
para a ética e beleza
tua aparente esperteza
mal esconde quem tu és.

22 de novembro de 2016.
Vânia de Farias.

MEUS MONSTROS

Guardei meus sonhos, entretanto, meus monstros arrebentaram as jaulas.
Vânia de Farias.

DESTINO

DESTINO
Vânia de Farias

Hoje acordei apavorada
com a notícias que trazias nos meus sonhos
com as verdades que escondias dos humanos
e as mentiras proferidas sem vergonha


tu és astuta e fria, quão covarde
ao traçares as linhas do destino
se és a parca responsável por tecer
o tecido esgarçado e quase roto

não te envergonhas de jogares meus desejos
nas valas fétidas e poluídas dos esgotos?
Ó quanta audácia em remexer minhas feridas
e quanta sede em beber minha bebida

mesmo sabendo que este ultimo é o gole
em que pretendo encharcar a pobre vida

Vânia de Farias.
Em 11 de janeiro de 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017

MEU CHAPÉU VIOLETA

MEU CHAPÉU VIOLETA
Vânia de Farias

Ontem pus meu chapéu violeta
fui olhar a cidade antiga
lembrar dos velhos carnavais


do encontro com os amigos

nas ladeiras de Olinda.
Nas praias claras de Arraial d'Ajuda
na palhoça do Di, em Tambaú

olvidei dos garotos insolentes
deseducados e hostis...
Confesso que não entendi
o que encontro, nos dias de hoje

jovens que parecem velhos viciados
não encontro mais o chevalier do passado...
Com respeito e reverência
pelos que lhe antecederam a chegada

lembrei que sou uma andorinha
que posso voar...
esses garotos, ao contrário
rastejam feito répteis

se mimetizam na vã tentativa
de enganar e encantar os mais crédulos
enganam alguns, mas não a todos
não a mim...

Não entendo tanta empáfia
em rosto balofo e amorfo
fico a imaginar este rosto no futuro
enrugado e macilento
 
amarelado como suas lembranças...
Pagarão por sexo, amigos e lealdade
pagarão por quase tudo
amealharam dinheiro passa isso.

Não tiveram escrúpulos em mentir
enganar, trapacear competir e desrespeitar
qualquer coisa que se aproxime de tradição
festejos e ou/ou camaradagem

seu mundinho não abriga acolhida
só egocentrismo e narcisismo sem freios
cabendo apenas seu ego, seu umbigo
e o séquito de seguidores temerosos.

Vânia de Farias
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Janeiro de 2017.
Imagem: Google

sábado, 28 de janeiro de 2017

AMBIGUIDADE

Quantas esperas esperei um dia
de quantos dias deu-se minha espera
e não chegaste como prometias
em meus delírios de vivermos em festa

quantos pedidos te pedi quem dera...
Que tu me desse o pedido ainda
que fosse amargo meu sofrer pois era
tua amargura que sorvia rindo.

À PROCURA DO AMOR

À PROCURA DO AMOR

Procurei o amor entre as muralhas
do calabouço construído para mim
procurei a gentileza nas fornalhas
do crematório em que jazem meus jasmins.


Procurei belos versos na algaravia
dos grandes egos em pavorosa agitação
procurei a alegria na senzala
onde jogaram nosso sonho e ilusão.

Procurei a honradez nesse sinédrio
onde pululam os vibriões da ambição.

Vânia de Farias
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Janeiro de 2017.
Imagem: Google

SACRIFÍCIO

SACRIFÍCIO
Vânia de Farias

Quantos anos de amizade
foram sacrificados?
Quantas promessas desconsideradas
quantos cartões amassados...


Os segundos de devoção
voaram na velocidade da luz
luz que agora cedeu lugar ao breu
à desesperança e desconfiança.

Que houve?
Que moeda é mais valiosa que a amizade
o que compra essa moeda,
que a amizade não dará?

Na amizade a entrega e doação
fazem parte do acordo
sem palavras, sem papel,
sem cartório ou testemunha

só as almas que se encontram
para uma festa de ternura
todas as máscaras ficam na entrada...

Fazem companhia ao chapéu e ao casaco
nenhum adorno, maquiagem ou acessório
só as mentes que se enlaçam num abraço.

Vânia de Farias
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Janeiro de 2017.
Imagem: Google