terça-feira, 21 de março de 2017

SEMPRE CERTO

SEMPRE CERTO
Vânia de Farias.
Verdade amigo, estás certo
mesmo contra qualquer fato
preferes fechar as portas
de tua mente inquieta
se alimentando há tempos
dos ridículos boatos
que andam feito estafetas

Não adianta o discurso
de professores e mestres
estás fechado em circuito
e o escuro se fez festa
Parece que aceitas o fato
de uns com direito a tudo
a nós outros, só restando
as sobras chochas e o monturo
A elite assoberbada,
acredita em eugenia
para provar o que sente,
sua mente espúria e fria
sem empatia, coragem
pra se cobrir de nobreza
prefere a esperteza,
carne podre, carrapato
papelão sendo o barato
em seus delírios de um dia
riem alto, zombam sempre
de nossa ingenuidade
votando neles e em seus pares
e sermos logo enganados
Estás certo amigo, agora
nosso país vem descendo
a ladeira com veneno
na plantação pro consumo
é mais fácil eis que somos
piores do que estrume
Só me resta concordar
com tua tese mal feita
sem pesquisa só soberba
justificando o argumento
de que estamos enganados:
de que Lula é estadista
aplaudido por milhares
aqui e noutras cidades
outros estados e países
Na Europa, muitos dizem
que o mesmo é exemplo
inteligência, empatia
com o nosso sofrimento
estamos fora da escola
dentro de muitos presídios
nas ruas, sem um abrigo
para o repouso seguro
também estamos de fora
de muitas das estatísticas
estamos dentro das brigas
por poder e pelos votos
morremos muitos de fome
de peste, vinda de longe
benefício para os grandes
laboratórios, sem honra
só compromisso com o lucro
loucura e avareza,
se considerando donos
da terra e suas riquezas.
Verdade amigo, estás certo!
Vânia de Farias.
março de 2017
imagens: Google

QUERIDO RAMON

QUERIDO RAMON
Vânia de Farias

Estas a pensar nas fases da vida
Nas dores sofridas, nos dias passados?
Esqueces, não voltam, és plena alegria
És tu companhia dos vitoriosos

Tuas cicatrizes, são condecorações
das lutas que um dia, travastes na vida
e no coração...
Tu és companheiro de quem se aproxima
também pura rima, e pura canção.
és solidário, dos entes queridos
também amizade, dos desconhecidos
A vida te ama, pois amas a vida
as dores sofridas, largaram tua mão
teu êxito reside na alma tranquila
teu senso é justiça, beleza incontida
és justo ao extremo, és calmo e sereno
quando o tempo dar, mas quando a guerrilha
te chama pra vida, não ficas a pensar
Já partes pra luta com forte armadura:
tua fé e cultura, e honestidade
eis que a realidade, é tua bandeira
a fraternidade, tua companheira
Tua arte nos pratos, que fazes tão bem
refletem o retrato que tua alma tem:
a pura alquimia do artista a fazer
o puro alimento a nos dar prazer
Dar-nos o combustível pra vida viver
com o corpo físico saudável de ver
sua alma habitando um corpo saudável
bem alimento por tuas misturas
teus doces, salgados ou arroz e feijão
pratos requintados, me lembram então
da linda Babete, naquele banquete
na festa que um dia foi revelação
de sua grandeza, de sua missão
Meu bom companheiro, meu nobre guerreiro
nas lutas do dia, manhãs e das tarde
e da noite fria.
Sou grata parceiro, por essa jornada
eis que és companheiro, nessa caminhada
meu filho querido, do meu coração
tu és destemido em tua missão
No teu tirocínio no teu julgamento
és imparcial nos nossos lamentos
e reclamações...
És justo e leal, és mago antigo
teus pés combalidos, não param jamais
avante, soldado! Nas batalhas da vida
teu desejo é luz,
na guerra vencida do bem contra o mal
do belo contra o feio, do justo contra o meio
de tanta amonia
Avante guerreiro! São muitas as batalhas
são muitas conquistas que irão somar
na economia moral, de tua bela vida
de tua mãe querida, que ama te amar.
Avante guerreiro!
Vânia de Farias.
Março de 2014.

domingo, 19 de março de 2017

ESQUECI TEU NOME


ESQUECI TEU NOME
Vânia de Farias.

Não me recordo teu nome
só sei que eras gentil
tua pela branca qual mármore
teu rosto, rosa e febril

só me recordo que nós
estudávamos numa escola
pequenina como noz
mas, de nossa professora

eu me recordo ainda hoje
seu nome: "Dona" Clarisse
mulher bela e elegante...
Com classe, esguia e fina

nos ensinou as primeiras
letrinhas do alfabeto
lhe sou grata ainda hoje
por seu carinho e afeto.

Mas você, por onde anda?
Já és homem, isto é claro
sou mulher, já tenho filhos
e meus netos, já chegaram

O menino é Sol Siddharta
uma estrela à brilhar
no escuro de meus dias
quando teima em espantar

às lembranças da infância
da pureza de nós dois
eu passava em tua casa
pra escola íamos depois

e então nossas mãozinhas
dadas e bem apertadas
seguíamos em direção
a nossa segunda casa

eis que ainda considero
como extensão do meu lar
a escola em que estudo
e conheço um outro mundo

com outros que estão lá
a trocar experiências
trazidas de outros cantos
meus mestres ainda ensinam

coisas com as quais
me encanto...
transformando a ignorância
que ainda trago acesa

em luzes para os meus olhos
em brilho pra minha mente
e fico extasiada, com o que
vejo por lá... São fatos

são outras estradas
nas quais passo a caminhar
a procura de mim mesma
do meu reino encantado

eis que sempre me encanta
o novo, o ignorado
quando trazido a lume
pelos meus mestres amados...

Voltando ao nosso tempo
seguíamos em direção
aquela pequena escola
e dávamos as nossas mãos

para aprender as lições
que a nossa professora
já havia preparado
preparando o futuro

que um dia surgiria
daquele tempo passado.
O que ficou mais latente
foram as manhãs de sol

eu e tu com lancheirinhas
a tiracolo, íamos sós
eis que nossa escolinha
ficava perto de casa

e naquele tempo ainda
não havia tanto medo
não havia a violência
dos tempos novos
de agora

seguíamos,
quais soldadinhos
de chumbo
pra nossa escola.

Vânia de Farias Castro.

Em agosto de 2014.

RESOLVI ME MAQUIAR

 RESOLVI ME MAQUIAR
Vânia de Farias

Resolvi me maquiar
não quero meu rosto limpo
lavado, pra eu pensar
nos movimentos que sinto


quero me anestesiar
das dores, dos sofrimentos
quero sair para o mundo
pra não lembrar os lamentos

dos que estão nos hospitais
sofrendo dores acerbas
vendo o corpo definhar
vendo a vida soberba

só para os outros lá fora
lá dentro a morte espreita.
quero usar um batom
para colorir meus lábios

meus lábios da cor marrom
já que sou uma mulher negra
quero esquecer o que sofrem
as mulheres de minha raça

como são discriminadas
no trabalho, nas calçadas
no palácios, e nas praças
são feitas de empregadas

não entendo a diferença
entre nós e outras mulheres
somos mulheres valentes
levando a vida a sério

trabalhando e amando
odiando os detratores
chorando quando perdemos
os nossos sonhos de amores
não sentem assim também outras
mulheres de outras cores?

Vânia de Farias Castro
Em 27 de setembro de 2014

ALTIVEZ

ALTIVEZ
Vânia de Farias

E este semblante menina?
Te vi ontem na procissão
tua túnica amarela, já um pouco desbotada
as miçangas rebordavam toda a barra



nas mãos, levavas uma pequena lamparina
no rosto, o sol se abria em sorriso
e seus raios, iluminava a todos nós...

Olhavas sempre em direção ao horizonte
tua altivez e dignidade me assombravam
no pequeno barraco, a carência é grande
falta o arroz e outros grãos

teu pai vendeu um pouco do próprio sangue
para levar comida pra casa
seus pés descalços, sangravam
ao puxar o jinriquixá

tudo era pobreza no bairro de Anand Nagar
Mas tu, ó menina! Herdasse a dignidade
de teus ancestrais
e respiras o perfume do lótus branco:

és produto de ti mesma
és um exemplo, para todos nós.

Vânia de Farias.
em fevereiro de 2017
imagens google.

HOJE SÓ QUERO O ORVALHO

HOJE SÓ QUERO O ORVALHO.

Roubei a força do vento
roubei a beleza da flor
hoje os meus sentimentos
estão sedentos de amor

não do amor sensual
do amor das coisas da terra
deste amor que hoje falo
encontramos a brilhar
na simples chama de uma vela

Roubei a velocidade
da luz, que nos alumia
minha pressa é pra encontrar
tudo na vida que brilha
não como ouro ou prata

como pedra preciosa
mas apenas com o sorriso
do desabrochar da rosa
de uma criança ao nascer
recebida pelos seus
de um velhinho a contar

as suas vidas passadas
para os netos que sentados
escutam suas histórias
muitas das travessuras
que o mesmo já viveu

Hoje roubei teu sorriso
quero alegrar meu rosto
já não encontro lugar
para abrigar desgostos
meu rosto só quer orvalho

molhando minha pele quente
quero plantar a semente
do amanhã que um dia
sonhei para nossa terra
e pra todos que viviam

como irmãos, a conversar
naquela cozinha nossa
beliscando os biscoitos
jogando conversa fora
mas havia a tal magia

encontrada nos encontros
das almas já conhecidas
em outros momentos tantos
que sorriem ao se encontrarem
como amigos de outrora

e não querem perder tempo
eis que o momento é agora
o tempo: Não nos perdoa
parte veloz a cavalo
e nós querendo viver

cada minuto em contato
com a alma encontrada
após os dias distantes
vivendo como amigos
ou mesmo como amantes...

Roubei a vara da fada
sua vara de condão
hoje quero a madrugada
iluminada em clarão
da lua enamorada
chorando a solidão

eis que o sol, só retorna
quando a mesma parte então
não percebe a companhia
das estrelas, que estão lá
lhe fazendo mil carícias

como as ondas do mar
quando caímos em seus braços
sem medo, sem restrição
nos entregando ao aconchego
de suas águas, na pele

banhando o coração
dos que se deixam levar
pelo teu toque suave
a massagear o corpo
a mente e nos revele
os segredos dos navios

que transportavam tesouros
que trouxeram tantos negros
escravos, uns quase mortos
e chegando em nossas terras
de seus filhos separados
as esposas eram tiradas
para servirem ao senhor
viveram dias de espanto
de agonia e terror!

Hoje roubei a esperança
dos homens crentes e crédulos
mas a minha confiança
já trazia, dos infernos
que fui jogada outrora

mas continuo de pé
com tanta alegria agora
só sendo invenção da fé
como sobrevivi antes
dos duros cortes da vida

os falsos amigos todos
fugiram quais delinquentes
flagrados pela polícia
corriam a todo vapor
não havia quem tocasse

em suas vestes de horror
ao me ver, com minha face
crestada por queimaduras
das perdas, da agonia
a fome já espreitava....
e alguns se aproveitavam

antes que a fera chegasse
eis que viver na alegria
não cabia amigo morto
sem forças, nem direção
sem um futuro incerto
sem a menor condição

de dividir às migalhas
do que o dinheiro comprava
Oh amigos, quanto alívio
hoje vivo bem distante
das bajulações, invejas
das peças que me pregavas

eram tantas as mentiras
que quase me transformei
em boneco sem uma alma
muito tempo suportei
mas um dia a crueldade
desferida por vocês

comensais dos meus banquetes
hoje fartos de uma vez
partiram sem um bilhete
avisando a deserção
mas o que esperar de loucos
movidos por ambição?

que ficassem onde pensavam
não ter mais o que extrair
é esperar que um mendigo
fique girando em deserto
sem ter a quem mais pedir.

Vânia de Farias Castro.

Outubro de 2014.

DEMOCRACIA

DEMOCRACIA.
Vânia de Farias.

Está muito difícil andar por aqui 
me apunhalam pela frente mesmo
outros me agridem verbalmente
e uns tantos me humilham sem escrúpulos...



Onde foram parar os sonhadores?
Os utópicos e defensores dos mais fracos
os cavaleiros modernos e suas ideias
libertárias, progressistas e corajosas?

Sim, é preciso coragem para me defender
para mostrar ao mundo
que não se envergonham de mim,
dos meus e dos que lutaram bravamente
para me manterem de pé.

Toda a América Latina, me ataca
ontem, hoje e por muito tempo
mas partirei certamente
deixando um gosto amargo
nas bocas desdentadas dos poderosos

homens trabalhadores lutam diuturnamente
para manterem seus corpos de pé
pagam um preço demasiado alto
enquanto outros, apenas se locupletam

de toda a riqueza produzida
 pelos que são considerados inferiores
são considerados marginais...

Partirei sim, e já levo em minha mochila
os sonhos de muitos brasileiros
as utopias dos que sonham para si
e para os outros, um mundo de igualdade

onde homens e mulheres, sejam respeitados
e dignificados em suas diferenças
onde o amor seja uma bandeira colorida
como um arco íris a se levantar sobre os céus!

Partirei por um tempo... Preciso respirar
e outros ares,
serão necessários para manter minha pulsação
e meu coração pulsará mais forte

e o pulmão de muitos,
 para gritarem numa lufada triunfante:
Democracia! Volta para abençoar esses infantes!

Vânia de Farias.

DESESPERO

DESESPERO
Vânia de Farias

Tentaram me atropelar
o motivo? Desespero
pautado na ambição
na ignorância servil...


Estava eu caminhado
voltando pro meu castelo
de sonhos, já que desejo
um mundo mais justo e belo

nas mãos trazia uma bandeira
com a foto da brasileira
mais falada do momento

seu nome? Dilma Roussef
hoje nossa presidenta
mulher forte e guerreira
que não teme adversários

não foge da luta em vida
e sempre será lembrada
como uma mulher valente
que luta contra dragões

do poder, incompetentes
que soltam fogo das ventas
mas da boca só bravatas
não são éticos nem honestos

e suas vidas transatas
estão cheias de escândalos
falsidade e mentiras
assassinatos cruéis

modelos que saem da vida
bem como das passarelas
que foram cedo jogadas
para a morte do corpo
pelas mãos dos homicidas.

Esses homens sem escrúpulos
lutam com todas as armas
as mais sórdidas e obscuras
para atingirem seu fito.

E seus asseclas insensatos
cometem os mesmos crimes
mentem, roubam, caluniam
e tentam até homicídios

contra os que não compartilham
de suas escolhas torpes
qual a culpa que eu tenho
se os mesmos são tão tolos?

Se escolheram votar
em um homem sem palavra
cujo passado envergonha
até os já condenados?

A escolha é dos dementes
sem noção de realidade
que agem como hienas
rindo sem motivo azado.

E agora querem à morte
de quem pensa diferente
mas se mesmo eu estivesse
em uma rua caída

coberta de sangue rubro
como muitos já o foram
não serviria a fúria
desses loucos em devaneio

já que naquele momento
meu voto já havia feito
a diferença que quero
fazer para continuar

com o progresso que o nosso
país amado tem sido
contemplado com o comando
da Dilma e outroslíderes

protagonistas da história
que sabem fazer à hora
não esperam que o outro
faça, e ganhem a glória.

Vânia de Farias Castro
Em 26 de outubro de 2014.

OLHOS CEGOS VEEM MAIS LONGE

OLHOS CEGOS VEEM MAIS LONGE
Vânia de Farias.

Hoje te ouvi falar de amor
de ternura e compaixão
também de renúncia e perdão


de como é belo caminhar dando as mãos


a quem queremos mais que a própria vida
quero voltar a te ver nesta estrada
que me fales outra vez dos belos campos

e de tuas plantações de margaridas...
Quero outra vez, ouvir tua história
de como amaste, da grande devoção
te ouvir cantar doce melodia
 dos que conheceram o amor um dia

dos que viram o mundo pelo olhar do outro
que não se faz necessário compreender
nem entender o universo do mesmo
basta apenas querer habitar este universo

querer partilhar de suas maravilhas
dores, dúvidas e desejos ir realizados
de separação e de reconciliação
das noites e dias de espera

e da imensa alegria do retorno...
Falaste-me que basta apenas
confiar na visão do outro
como o cego a ouvir a descrição de uma bela paisagem

do êxtase sentido na presença
de Kandinsk, de Miró, Picasso,
Monet, Frida e Mondrian
de tantos outros mestres do passado

tu não entendias e nem entendes de arte
mas entendes de amar, e de como é importante
ser feliz com a felicidade do ente amado
de se extasiar com o êxtase do nosso amor.

Falaste-me de como é divino ver
pelos olhos do outro quando o mesmo
possa viajar mais longe, e quiçá
trazer para nós, notícias de outras paragens

do que viu e sentiu por lá
do que viveu e sofreu e se alegrou,
e se não formos felizes para sempre
que sejamos felizes para hoje!

Vânia de Farias.
Em 10 de abril de 2016.

MINHA PORTA

MINHA PORTA
Vânia de Farias

Hoje, posso enfim te reabrir
e deixar entrar outras notícias
boas notícias trazidas por fadas
ou por duendes, ingênuos e simples



alguns elfos, também virão
trazendo flores em ramalhetes em suas mãos
falarão de um mundo onde a magia
é a irmã dileta dos sonhadores...

Chegarão pássaros em bandos
chefiados pelo bem ti vi
focando sempre no belo, no ético
de onde vem, ninguém enxerga o feio

ninguém vê o abjeto e chulo
seus olhos são imaculados
e jamais se conspurcarão
ao verem paisagens pestilentas

só a alegria e amizade construída
em cima de jardins perfumados
 a base dessa linda construção
é um campo de lírios dançando ao vento.

Ah! Como gosto de receber o bem ti vi
ele sempre me conta belas histórias
de crianças brincando e sorrindo
construindo castelos de sonhos...

Sonham com um futuro
onde cuidarão de outras crianças
serão pediatras

manterão a segurança de seu bairro
serão policiais
construirão belas e seguras construções
serão engenheiros

zelarão da saúde de seus compatriotas
serão enfermeiros
Salvarão vidas, com desvelo e coragem
serão bombeiros...

lutarão como os cavaleiros antigos
pela manutenção da justiça
serão advogados

E continuam sonhando, com homens
que garantirão a materialização de seus sonhos
serão homens justos!

Vânia de Farias.
Em 11 de abril de 2016

AMBIGUIDADE

AMBIGUIDADE
Vânia de Farias

Quantas esperas, esperei um dia
de quantos dias deu-se minha espera
e não chegaste como prometias
em meus delírios de vivermos em festa

quantos pedidos te pedi, quem dera...
Que tu me desses, o pedido ainda
que fosse amargo, meu sofrer pois era
tua amargura que sorvia rindo...

Teu rosto pálido qual morto na pedra
me olhavas triste, em tarde tão fria
mais fria a lápide onde eu escrevia
o epitáfio do amor que morria

Vânia de Farias.
Imagens Google

QUANDO EU PARTIR

QUANDO EU PARTIR
Vânia de Farias.

Quando eu partir
que farão com o meu nome?
criarão pequeno verso,
ou cantiga de assombro?


Como as cantigas de ninar
de meu tempo de infante?


Quando eu partir
que dirão que fui um dia?

Incansável sonhadora,
não obstante a covardia
dos meus pares, mais ditosos

mulher doce por momentos
mas tirana e atirada
dependendo do repente
que se faça, nessa data...

Fortaleza para os fracos
mas fraqueza que alivia
as angústias dos amigos
que ainda sofrem a agonia

da incerteza, quanto a vida
dúvida atroz que lhes visita
pode ainda ser guarita
para enxergar mais longe...

Para isso,  deixarei
alguns livros bem usados:
Galeano, Jean Paul Sartre,
Lapierre, Jorge Amado.

Na Cidade da Alegria,
aprenderás com a esperança:
dignidade e honradez, não
são bens que se compra.

Nos Subterrâneos da Liberdade,
aprenderás com a coragem:
que o sonho, e a utopia,
não deixamos na viagem...

Nas veias da América
aprenderás com a vontade:
que é preciso conhecer
para enfrentar tantos covardes.

Deixarei ainda para ti:
Simone de Beauvoir, já na velhice
a te ensinar que os problemas e
abandono, ainda existem...
E insistem!

Cervantes, e seus sonhos quixotescos,
a nos mostrar que é preciso imaginar com fantasia
vendo o brio e a beleza,
mesmo quando nossos monstros,
são o feio, a desonra e amonia.

Fernando Pessoa, Graciliano
Castro Alves, Vitor Hugo e Epíteto
Cecília Meireles e Cora Coralina
abrindo caminhos luminosos nas esquinas,

bifurcações nas estradas empoeiradas...
Amor, onde não restar mais nada...
Esperança, quando já não houver bonança.

Deixarei também uns cordéis amarelados
uns vinis, tão antigos e amados
deixarei ainda uns vidrilhos
para que possas rebordar as tuas máscaras

e quando o carnaval se aproximar...
Não deixes de visitar os quatro cantos de Olinda
e seus bonecos a desfilarem
pelas ruas e ladeiras, coloridas
com passistas e artistas da cidade

não esqueças de Pitombeira e Elefante
Vassourinhas e o bacalhau do batata,
sorria com as crianças nas calçadas
com suas batas e castanholas
em suas mãos -são as almas.

Veja ainda o museu do mamulengo
tradição e o novo dia se encontrando.

Quando eu partir, joguem todas as
minhas queixas...
Não lhes servirão pra nada,
sigam em paz com alegria

esqueçam, se já fui triste um dia
só recordem dos sorrisos com
que bordei o meu rosto.
Da vontade de viver, mesmo aos tropeços

Dos encontros com os amigos, na cozinha
do trabalho edificante que eu tinha
dos amores, tão amados, que viviam
a me visitarem sempre que chovia...

Quando eu partir,
lembrem apenas dos abraços!

Vânia de Farias Castro.
Janeiro de 2016.
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Imagem: Google

PASSADO OBSCURO

PASSADO OBSCURO
Vânia de Farias.

Ó meu Deus! Afasta esta agonia
esta angústia, soberba lancinante
preciso de paz, por um instante
acreditar na humanidade outra vez.



Preciso sair do calabouço
onde répteis rastejam neste fosso
esquecendo que um dia, foram homens
e qual vermes imundos, roubam tudo:

uma côdea de pão, de um moribundo
uma joia herdada da família
das crianças, tiram-lhes a vida
dos homens ainda fortes, a esperança.

Senhor! Quando acabará esta matança?
Para voltarmos outra vez, pras nossas terras
será que nos peitos, deles, ainda encerra
Uma gotícula de compaixão ou empatia?

Não ouviram falar, do Nobre Kant?
com seus princípios morais edificantes
nos ensinando o sentido desta vida
desconhecem a existência de Jesus?

Seus suaves conceitos que na cruz
teve o epílogo de vida verdadeira:
dividiu, nosso tempo em duas eras
ensinando que bem antes daquela

sua passagem feliz, por nossa história
só havia escombros, exploração
os espertos a roubarem, quais um cão
vira lata nos mercados, quais escórias.

Mas Jesus ensinou a compaixão
tolerância com os erros dos irmãos
paciência nas lutas dessa vida...

Eu te rogo agora, a guarida
em tuas asas de anjo protetor
e te peço ainda, Meu Senhor!
Compaixão para as minhas recidivas,

não entendo esses monstros do passado
tristes autores de torpe holocausto
sem remorso, apenas tirania...
Hoje ainda observo onde vivo

similares de títeres quais vampiros
a sugarem o sangue dessa pátria.
e me voltam os monstros arianos
tão soberbos, vivendo do engano

precipícios a que foram jogados.
Vânia de Farias Castro.
Janeiro de 2016.
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Imagem: Google

QUE POSSAMOS SORRIR

QUE POSSAMOS SORRIR
Vânia de Farias.

Que possamos sorrir de nós
de nossas dubiedades e incertezas
de nossos medos pueris, tirando a leveza
de dias risonhos a sorrir na cara da gente!



Que possamos sorrir de nossos ciúmes
e lembrarmos que todos tem o direito
de ir e vir, sem que possamos detê-los...

Em nossa marcha, tudo que nos chega, vai.
E ainda sorrir de nossa avareza
já conseguimos doar roupas
quando não nos servem mais

doar um pouco de alimento
desde que nos reserve
o direito de ficarmos empanturrados
dos excessos e seus excrementos

Entretanto quando se trata de conceitos
pontos de vista ou outros pontos
nossa agulha fere tanto
qual lança afiada a cortar

quem nos ousar contestar.
Nos apegamos ao que acreditamos
ser o reflexo da verdade
e esquecemos que para o outro

a verdade ainda está sendo lapidada
e que, quando fulgurar,
em milhões de fractais, se multiplicará
a levar luz a muitas mentes

e a nossa?
Talvez jamais saia de um pequeno burgo:
nosso ego  infeliz e doente!
Que possamos ainda sorrir, de nossa astúcia

acreditando que somos os tais, os maiorais
sem percebermos que estamos sendo vistos
e scaneados, por muitos, e nossos vícios:
mostram os rabos finos, como a lagartixa

a enganar a velha bruxa.
Melhor lembrar, que não somos João nem Maria...
E não conseguimos enganar a grande maioria.
Lá se vai nosso sonho...

E seremos devorados, como apetitoso
prato, pelo tempo que não perde tempo
em destruir nossos castelos de areia...
Ateando fogo-fátuo, em sua fundação

já movediça em sua criação...
Ah! Essa não, melhor sorrir de
nós mesmos... e ficarmos como figurantes
no grande coro, onde muitos, riem de nós.

Vânia de Farias.
Janeiro de 2016.
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Imagem: Google

OH DE CASA!

OH DE CASA!
Vânia de Farias

Quem bate?
Oh de fora!
Anjo da morte?


Que queres?


Como te sentes? Senta um pouquinho...
Queres café, um chá, um suco?
Se quiseres esperar pelo jantar

preparo-te o melhor prato que eu possa.
Queres um pergaminho que te escute?
escreves anjo amigo, tuas desculpas
por chegares sem aviso em minha porta

por invadires, minha casa e a casa
de muita gente...
Por deixares jovens viúvas sem amparo
e ainda jovens filhos órfãos...

Que falar das mães que viram seus filhos
partirem cedo?
Sem qualquer despedida ou preparo
deixando apenas como companhia,

a solidão, a dor acerba e o medo.
Como te sentes? Já que não estou pronta,
a minha mala, não arrumei ainda
se me levares, passaremos primeiro

numa boutique e no cabeleireiro.
Já que irei contigo, quero morrer linda!

Vânia de Farias.
13/11/2015.

CANSEI DE ANDAR NOS TRILHOS

CANSEI DE ANDAR NOS TRILHOS
Vânia de Farias

Cansei de andar nos trilhos
cansei de ser mais uma Maria
fumaça solta nas nuvens
quero apenas ser mulher


com qualquer nome

correndo, dançando, andando a pé.

No asfalto, mato molhado
molhando os dedos descobertos

voltando, girando, dando marcha a ré...
Cansei de usar esta farda
de mulher amada por muitos homens
vulgares, sem qualquer tato

não quero, amor nem tesão
quero apenas tuas mãos
com godê, pincéis e tintas
para pintarmos o mundo

com as cores bem distintas
das que vejo  e sinto hoje
Cansei de ficar quieta
a chorar quando  machuca

quero te chutar pra longe
pra Bagdá, Cochinchina, 
Alhures, dever haver lugar
pra gente estúpida!

esquisita, avarenta, esdrúxula.
Cansei de ouvir tuas asneiras
pseudo intelecto
cultivas afetos com um barril de besteiras

teus rótulos? Dispenso...
Que pensas? Teu ego ainda cresce
cresce, tomou fermento
está hoje um gigante comendo os amigos

separas uns tantos, embalas apenas
teu ego, seu tonto!
Escorregam em tua baba
ainda pensas que o mundo

é menor que tua mente:
esquisita, recebeu a visita
do mosquito da moda.
Teu cérebro murchou

está micro!

Vânia de Farias.
Janeiro de 2016.
Direito Autoral Reservado(VFC)
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
Imagem: Google

APENAS MAIS UM DIA

UM DIA
Vânia de Farias.

Há poucos dias, alguém flagrou o ator brasileiro Mario Gomes vendendo sanduíches e batatinhas, numa praia carioca. A cena correu o país, através das redes sociais.
Uns alarmados, uma vez que o ator havia feito inúmeros filmes, e ainda muitas telenovelas na emissora de TV, mais popular do país.
Outros, comentavam que não havia motivos para especulação, uma vez que o mesmo aos 65 anos de idade, ainda tinha força e coragem para trabalhar, o que seria um privilégio, no entender deles.
Se levarmos em consideração, ter sido o ator, um galã das telenovelas de uma das emissoras mais vista do país, esperava-se que estivesse hoje usufruindo dos frutos de seu antigo sucesso, entretanto sabemos que a vida não funciona de forma tão lógica e linear, e o ator foi alvo de um comentário odioso em relação a sua reputação, que teria prejudicado sua carreira. E temos notícias de muitos outros atores e atrizes, terminarem seus dias de vida completamente abandonados, pelos próprios familiares, amigos e colegas de profissão- imaginem de seu público- que costuma ser volátil e volúvel.
Refletindo sobre o assunto, veio a minha memória o garoto João Vitor, que aos 13 anos fora espancado até a morte, por dois funcionários de uma lanchonete no estado de S. Paulo.
Ironicamente, o próprio nome João, é hoje denominação para os milhões de brasileiros que vivem a margem da sociedade, sobrevivendo das sobras, restos de comidas, jogadas por restaurantes e lanchonetes, ou mesmo de domicílios residenciais, os conhecidos Joãos-ninguém.
"
João-ninguém é uma expressão popular que define um
homem sem importância; pessoa insignificante.
Segundo o Dicionário Caldas Aulete, 1. Aquele que é considerado sem valor por não ter instrução, prestígio social, dinheiro; indivíduo insignificante, sem importância; ZÉ-NINGUÉM; POBRE-DIABO; BANGALAFUMENGA; PÉ-RAPADO.
Em OsDicionários.com. é o Indivíduo insignificante, sem importância; sujeito à toa. [Sin.: joão-fernandes, badameco, badana, bangalafumenga, beldroegas, berdamerda, beré-beré, bicho-careta, borra-botas, brochote, bunda, bunda-suja, fabiano, fubica, futrica, gato-pingado, janistroques, lagalhé ou leguelhé, lheguelhé, maenga, mequetrefe, ningres-ningres, zé dos anzóis, zé dos anzóis carapuça, zé da véstia, zé-prequeté.
Começo a imaginar os milhões de Joãos-ninguém que são humilhados, queimados, crucificados - não em sentido figurado- assassinados e abandonados, ou mesmo enterrados em covas rasas, que sequer tiveram direito a um dia. Sim, apenas um dia, para, mesmo enfrentando todos os impedimentos, legais, sociais, materiais e morais, pudessem viver, vendendo cachorro-quente, ou batatinha... trabalhando nas construções, ou nas cozinhas dos mais abastados, comendo e vestindo as sobras doadas pelos patrões.
Será que os Joãos-niguém, alcançados pelos golpes certeiros dos anjos da morte, que hoje, assolam o nosso país, não desejavam ter mais um dia ou mais um ano, uma década, para regar a plantinha da esperança de uma vida melhor?
E mais, será que esses anjos da morte, ainda não sabem que também são Joãos-ninguém? Que a elite soberba não precisa sujar as mãos com o sangue desses menores, já que dispõem de milhares de pares de mãos para vestirem luvas de sangue e após, ostentarem a desculpa que estavam apenas cumprindo ordens.
João Pessoa, março de 2017

RESOLVI TE ESCREVER

Resolvi te escrever
Vânia de Farias.

Hoje, resolvi te escrever
falar de coisas antigas
de memórias, do passado
que já se escondem na vida


falar das tardes quietas
naquela praça central
uma viola, um dedal
para bordar nossos sonhos

de beleza e segurança
para nós, e para os teus
a arte, nossa esperança
fio a ligar-nos a Deus.

Te encontrei naquele dia
o encontro não se deu
estavas, frio e abatido
pelas pancadas de vento
teu sonho se arrefeceu

O vento forte, arrojado
não perdoa os que dormem
acordam pra realidade
dos mortos, hoje acordados

estão vivos, sentem forte
sem o nosso escafandro
nos visitam, dão-nos o norte
é preciso ter ouvidos
para não transformar sonhos
em terríveis pesadelos

Para ouvir suas verdades
de que o sonho não acabou
ao encetar a viagem
partimos pra novo plano:
terminar o começado
renovar o que deixamos

é preciso ter estômago
para entender a vida
aqui estamos mais mortos
eis que mortos para a vida

para a vida imortal
despojados desse corpo
inspirando outros tantos
a não viverem quais mortos.

É preciso ter coragem
para enxergar mais longe
preparar bem a semente
e plantar sem abandono

regá-la com o desvelo
necessário ao crescimento
pra evitar o lamento
de uma colheita de enganos

É preciso paciência
suportar a dor acerba
a injúria, a soberba
dos irmãos de caminhada

se afastar sem odiar
preservar a integridade
sem revidar a maldade
que tenha te alcançado

pois é próprio do humano
as muitas quedas e paradas
preciso usar a enxada
pra aplainar os pedrouços

se esquivar dos estorvos
que queiram te impedir
de teu caminho seguir
com a fé raciocinada

é preciso a largada
perseverança e otimismo
levantar sempre o caído
que encontrares na estrada.

Vânia de Farias.
Em março de 2017

ESSES JOVENS

ESSES JOVENS
Vânia de Farias.
Quando deixarem de ouvir a sua voz
quando em sua família
a única língua audível, for dinheiro
mande todos ao mercado
às ruas de seu bairro,
venderem os próprios cabelos...

Mande todos comprar a própria comida
o próprio sapato
saberem o valor do esforço
e do espaço que lhes tornam
tão obesos, folgados...
Não adianta murmurar
melhor emancipá-los
que os mesmos aprendam a trabalhar
a procurar o próprio sustento
talvez estejam acomodados
recebendo tudo mastigado
esqueceram do respeito, da gratidão
acreditam que ao velho já cansado
ainda sobrem forças, para mantê-los de pé
sorridentes e soberbos
quanto aos velhos?
Que permaneçam calados...
Suas experiências não lhes interessam
são maçantes e sonolentas...
Aprendem tudo com o Google
o Facebook, mostra sua verdadeira face
do engodo e das conquistas fáceis
os pais, tios e professores
avós e outros cuidadores
são enfadonhos, falam demais...
Esses jovens
não dispõem de tempo para asneiras
têm a vida inteira pela frente
para conquistas importantes
mas não para ouvir quem já viveu
Têm um mundo para descobrir
pelo YouTube, claro!
Têm pressa... O WhatsApp lhes espera
a política? Coisa de velho e de artista
Não dispõem de tempo nem espaço
para palestras, para besteiras
para babaquices e embaraços
seus colegas de jogos
e outros entretimentos
são os tais, os maiorais
pra que precisam de pais?
A não ser, claro, para pagarem as contas
comprarem os brinquedos e casacos da hora
a entrada para o clube, fazerem a feira...
Se quiserem deixar de pagar a escola,
tudo bem! Já sabem o suficiente
Os pais, devem continuar
com suas bocas fechadas
que usem o cartão de crédito
e abram apenas suas carteiras
filosofia? Quanta baboseira
suas vozes incomodam, chateiam
lhes roubam o precioso tempo
para o disfarce, ou o combate
nos jogos eletrônicos...
É, esses jovens têm um belo
e desembaraçado mundo pela frente.
Vânia de Farias.
em março de 2017
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sábado, 18 de março de 2017

DESCALÇOS

DESCALÇOS
Vânia de Farias.

Hoje eu me curvo a ti Senhor!
agradeço-te pela terna proteção
Teus ensinamentos no sermão
que nos guiam, como a cegos no escuro


Agradeço-te pelo amor sem condições
e o exemplo que nos deste há tantos séculos
e até hoje recebemos os proventos
de tua vinda gloriosa sem um séquito

escolheste teus discípulos entre nós
homens simples, de um povo tão sofrido
já querias nos mostrar que os oprimidos
tem espaço em suas mentes pro teu verbo

Hoje peço por amparo e proteção
para mim, e para outros em sofrimento
sei que estás bem atento ao lamento
de nós todos, sem chancela neste mundo

Vânia de Farias
em fevereiro de 2017
Imagens google

E AGORA

E AGORA?
Vânia de Farias

Você pede que eu aguarde
mas o momento não vem
só quem chega é a saudade
acompanhada de alguém


da dor e da solidão
mas também da emoção
dos momentos em que nós
unidos no mesmo som
trocamos carícias mil

apesar de equidistantes
nossos corpos se procuram
nossas mãos se acariciam
nossa voz em balbucios
nossas bocas em delícias

como virgens castas e puras
nossos corpos tremem hirtos
como posso explicar isto
se o passado está distante?

Mas você anjo dourado
me trouxe tantas lembranças
do tempo em que quase criança
descobria a mulher flor
 virgem, casta, pura e santa
nas voragens da infância
despertava para o amor

Só que o momento é outro
encontro-me em dúvida agora
há tanta gente lá fora
querendo colher a rosa

a mesma agonizante
aguarda a sua colheita
mas você anjo rebelde
em desídia declarada
aguarda a hora aprazada
em sua cronologia

não respeita a agonia
das flores em desalento
que esperam ao relento
sob os rigores do sol

que um anjo ou mesmo um homem
não importa no momento
faça a colheita a contento
receba o que há de melhor
que aquela rosa possui:

seu perfume, sua cor
seus espinhos, jazem agora
não precisas temer, não
você não corre perigo
de ferir seu coração

esta flor já tem um nome:
Amor de Amor, Amor.

Vânia de Farias.
em fevereiro de 2007
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HOJE

HOJE
Vânia de Farias

Hoje, quero apenas agradecer
a Deus, a Jesus e a seus prepostos
aos inúmeros amigos que devoto
minha genuína gratidão


agradeço-te por me dares tua mão
na escalada de estradas as vezes íngreme
e ainda por dividires teu sorriso
quando ainda, não decidi por andar sorrindo

quando fico enroscada em minhas dores
e nas lembranças, de momentos infelizes
e tu chegas com corbélia multicor
para encheres os meus dias de alívio

de lembranças dos inúmeros momentos
em que juntos nós voámos pelos ares
construindo nossos sonhos sem pesares
sem angústia ou perversa morbidez

agradeço-te pela linda gravidez
de projetos pro futuro, noutros mares
quero hoje te lembrar como sou grata
por aportares em meu porto quando em vez.

Vânia de Farias.
em 19 de fevereiro de 2017
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RELEITURA

RELEITURA
Vânia de Farias
Enquanto leio a mim
uma onda gigante se aproxima
suas águas violentas, são a anágua
da mulher levada a morte por mãos assassinas

uma mulher alegre, com lábios em febre
da fogueira de suas entranhas,
emergem feito vulcão, labaredas azuis
mas hoje apenas manchas vermelhas
em seu seu corpo, agora nu
enquanto leio a mim
uma brisa suave me toca
são os sonhos, de outras tantas
utopias, quiçá, em suas tocas
quem tocará sua alma?
Com ramalhetes de sons
desvendando seus muitos segredos
e outros tantos que fugiram em degredo
quem ouvirá os seus cantos?
melodias coloridas, como os passistas
nas ladeiras íngremes de Olinda
ou os bonecos gigantes nos quatro cantos
o seu canto se fez grito
e suas notas voaram até o infinito
querem espaço, tempo, recuperar sua voz
voltar a cozinha, caso queiram...
cuidar de seus filhos, do marido
ou do pai, já cansado, na hora derradeira
Querem fazer compras no mercado
conversar com o vendedor de frutas
cantar no escuro, após um dia de labuta
tomar banho na biqueira, banho de chuva
Tentaram alçá-las as alturas,
Umas tantas mulheres que se sentem livres
mas tiraram a liberdade de outras
de viverem o que lhes torna felizes.
Enquanto leio a mim
leio também os gritos das mulheres estupradas
por homens brutos, truculentos
que se extasiam ante a dor
ante olhos estilhaçados de espanto
e de seus fractais, suas vidas rolam
como num filme de terror
onde será que errou?
Andou pela rua escura, ou foi a microssaia
ou o decote sedutor?
Não! Foi apenas sua condição:
mulher!
Vânia de Farias.
fevereiro de 2017
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ORAÇÃO AO ALTO

ORAÇÃO AO ALTO
Vânia de Farias

Amado Mestre e irmão Jesus!
amigo incondicional de todas as horas
hoje quero te agradecer
por tua descida ao nosso planeta
mesmo tento que sofrer
as injunções do corpo físico
para descer até nós


Deus, que é Pai de infinita misericórdia
te enviou como seu primogênito
com a missão de governar a terra
orbe de provações e provas

O grande Senhor do universo
já havia nos enviado, antes de Ti
outros grandes e memoráveis avatares
para nos ensinarem a conjugar o verbo amar
e nos preparar para te receber

Como bem o disseste, não vieste
der rogar as leis, mas fazer
com que elas fossem cumpridas
E uma de tuas inolvidáveis missões
foi a de lecionar:

nos ensinou, a não julgar o nosso próximo
na passagem da mulher adúltera.
a confiar na bondade imensurável do Pai
quando teu discípulos estavam cansados
e desiludidos, por não terem pescado
sequer um peixe, não obstante uma noite
de tentativas infrutíferas.

E não valorizarmos em demasia
as coisas materiais, quando afirmou
que deixassem aos mortos, o cuidado de
enterrar seus mortos, nos convocando
aos cuidados de nossos espíritos imortais.

,Ensinaste-nos a perdoar
quando no último momento de teu martírio
pediste ao Pai, nos nos perdoasse
eis que não sabíamos o que estávamos fazendo.

Senhor! Quando aceitaste a ajuda de Simão,
o Cirineu, foi para nos lembrar que precisamos
vez ou outra, aceitar a ajuda de outros irmãos
de caminhada

Ó Senhor! Foram tantas as lições...
Deixaste um código moral, que jamais será
apagado ou revogado no universo.

Por isso, hoje, só me resta agradecer
por estagiar neste planeta, uma oficina/escola
onde todos nós, somos menores aprendizes
na verdade, enquanto espíritos, somos ainda
infantes...

Com pouca noção de nossa condição
Agradeço-te ainda pelos pais generosos
que um dia, me receberam como filha querida
e que jamais regatearam esforços
para que eu atingisse a felicidade
almejada por toda a humanidade.

Vânia de Farias.
fevereiro de 2014
imagens: google

ALTIVEZ

ALTIVEZ
Vânia de Farias

E este semblante menina?
Te vi ontem na procissão
tua túnica amarela, já um pouco desbotada
as miçangas rebordavam toda a barra


nas mãos, levavas uma pequena lamparina
no rosto, o sol se abria em sorriso
e seus raios, iluminava a todos nós...

Olhavas sempre em direção ao horizonte
tua altivez e dignidade me assombravam
no pequeno barraco, a carência é grande
falta o arroz e outros grãos

teu pai vendeu um pouco do próprio sangue
para levar comida pra casa
seus pés descalços, sangravam
ao puxar o jinriquixá

tudo era pobreza no bairro de Anand Nagar
Mas tu, ó menina! Herdasse a dignidade
de teus ancestrais
e respiras o perfume do lótus branco:

és produto de ti mesma
és um exemplo, para todos nós.

Vânia de Farias.
em fevereiro de 2017
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RESTAURADOR

RESTAURADOR
Vânia de Farias

Encontrei um restaurador de corações
entreguei o meu a seus cuidados
eram muitos, e todos machucados
uns faltando pedaços, outros sangrando


encontrei-o compenetrado e feliz
era início da manhã e o sol,
também sorria
não entendi o motivo da alegria
cercado de corações acidentados

perguntei-lhe o que o motivava
à tarefa cansativa e arriscada
e o mesmo respondeu com incrível calma
"é como aprendo a consertar o meu."

Vânia de Farias
fevereiro de 2017
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LUZ

LUZ
Vânia de Farias
Luz, vejo a luz...
Por que a luz fica sempre no teto?
Por que não fica no chão, nos muros
nas pedras, em nosso coração?

O Pai falou: Vós sois luz!
Por que a nossa luz não alumia
por que a luz dos outros
não consegue nos iluminar
cadê a luz em nossas palavras,
gestos, olhares e atos...
Será a vida um permanente palco?
Para que tanto estardalhaço
O jornalista, sensacionalista
qualquer um é alçado a artista
nos folhetins e revistas
nos reality Shows, nos shopping
nas calçadas, nos botequins...
Basta ser alpinista.
Cadê o homem simples
a vida corriqueira
os amores nascendo, florescendo
as famílias crescendo
muitos morrendo, outros renascendo
Cadê o homem comum?
Só focamos no esdrúxulo,
no fantástico, no esquisito
o mosquito incomoda
mais que metralhadora
o mosquito é a mente
é meu cérebro, que sente
escuto um zumbido...
Só penso, não sinto
não sinto a presença do mundo lá fora
da alegria sem jaça,
Quero o mundo sem máscaras,
sem tantas personas
quero o tronco, a árvore o rio amazonas
os rostos sorrindo, sorvendo a beleza
espantando a tristeza
que já se demora.
Vânia de Farias.
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LUZ DO CARNAVAL

LUZ DO CARNAVAL
Vânia de Farias
Se queres as máscaras, usemos sem medo
pois é carnaval...Cantemos o frevo
quero o homem brincante, a arte a harmonia

o sol causticante nossa pele arrepia
com tanta beleza nas suas ladeiras
Olinda és bela, como belo é o dia
A mulher do dia, nos entrega feliz
a chave da festa
quero música, quero graça
quero dança na praça
quero todos cantando lá nos quatro cantos
meu canto encontrei...Olinda, em teus braços!
Cadê a alegria? só no carnaval?
E no resto dos dias
só restam as cinzas?
A dor, agonia, a corrupção
a fadiga, tristeza, a fome espia
qual corvo infeliz
nossa morte lenta para sua alegria
Cadê a beleza daquela folia?
Meu coração canta de tanta euforia
minha alma levanta
ao raiar do dia..Olinda encanta
a todos que um dia viveu sua infância
cercada e amada por muitos amigos
parentes, aderentes e desconhecidos...
amada por gente contente, bonecos
gigantes, foliões dançantes
na festa que um dia
ficou na memória ficou registrada
na nossa retina nos nossos ouvidos
seus som, sua rima
beleza e sentido da festa de momo
que quero viver em todos os dias
sem dar-te ouvidos
angústia infeliz!
Vânia de Farias,
25 de fevereiro de 2014

TRAQUINA

TRAQUINA
Vânia de Farias
Traquina é muito folgada
espalhada como tal
é trelosa e artista
gosta de música, teatro
pintura e de futebol

é muito observadora
deita sempre ao meu lado
está sempre a espreita
vela com todo o cuidado
meus momentos de insônia
de ligeira distração
quando penso que estou só
em minhas elucubrações
lá vejo a minha traquina
me olhando firmemente
com olhos perscrutadores
atingindo a semente
ela é meiga e educada
mas um pouco atrapalhada
se espalha onde encontra
aconchego e gargalhada
Vânia de Farias
fev de 207
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PRIMEIRA FANTASIA

Primeira fantasia
Vânia de Farias

As lembranças chegaram apressadas
saltitantes e arfando de alegria
me lembrando da primeira fantasia
que fizeste, ó querida mãe amada


suas saias rodadas de filó
salpicadas de estrelas coloridas
suas fitas brilhando qual o sol
ostentando as cores da bandeira
que um dia seria esquecida

mas parece que sabias o destino
de um símbolo, que seria estiolado
relegado a humilhação e covardia
pelos párias e bandidos de hoje em dia

que teria seu reinado e poder
nos festejos momescos de três dias
e após o queimar de suas cinzas
voltaria a condição de serventia.

Vânia de Farias.
fevereiro de 2017
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O QUE TE FALTA

O QUE TE FALTA?
Vânia de Farias.

O que te falta, amiguinho,
o que te falta?
para iluminar teus olhos tristes,
teu semblante?

Não compreendi a dor
e o desencanto
que teu olhar me desenhou
neste instante

será que um dia,
compreenderei por fim?
Que precisamos entender
mais os sinais:
o sofredor sem articular palavras
pode nos mostrar exatamente aonde dói.

E onde dói, amiguinho a tua dor?
não tens idade
pra sofrer dores de amor
mas já tens anos pra sofrer
a sua ausência

cadê os pais, para velar
tua inocência?
Onde a escola com os mestres
cuidadosos...
Será que dói meu amiguinho
a soledade?

será que dói meu amiguinho
o desamparo?
Com os sinais e os motoristas
assombrados
tua presença já lhes causa
calafrios...

Se dói teu braço, meu amigo:
tenho o remédio
se teu estômago está vazio
tenho o pão
se o teu corpo sofre frio
o agasalho...
Se reuniram e arranjaram a solução,

mas se o que dói meu triste amigo,
é ausência
de uma família
que te ensine a lição
te falta afetos, e cuidadores
que te cuidem;
de vida digna, de espaço
neste mundo.

vejo espaço, meu amigo
o mundo é grande
mas é pequeno pra caber
tua ambição!

Vânia de Farias
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TRIBUNAL

TRIBUNAL
Vânia de Farias

Ontem nos encontramos
estavas ansioso e excitado
querias falar do passado
das histórias que marcaram tua vida


divagamos sobre o bem
e o mal que nos visita
sobre sentimentos menos amistosos
sobre jovens irreverentes e desrespeitosos
de como sangram ainda as abertas feridas

nossa palestra adrede inofensiva
se estenderia por horas,
caso eu não fosse atrevida
e falasse de sonhos e de pesadelos
de mágoas guardadas o ano inteiro
de meu jeito irracional, não obstante verdadeiro

quando percebesses que também sou ferina
que minha língua quando em vez
se transforma em arma assassina
assumisses uma postura de reproche

não entendi tua atitude e a reboque
fui invadida por angústia e fragilidade
não entendo como ainda nessa cidade
sou vedada de falar de meus demônios

não consigo entender o que te move
se a ânsia sadia de ver apenas o bem
ou a hipocrisia reinante neste império de ninguém

que queres de mim? Amizade e ternura
ou um recital de compostura?
aureolando teus negros sonhos, de ventura.

Necessito sim, falar de amor,
de compaixão e de virtudes
mas preciso ainda mais,
falar do que me prende ao homem velho
de minhas debilidades e vicissitudes

ser natural e espontânea
me despir de todas as personas
quando me permitir está diante de um amigo
mas, que vejo?
Um outro tribunal, frio e enrustido!

Vânia de Farias.
em março de 2017
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ADJETIVA

ADJETIVA
Vânia de Farias

Frágil, tímida, astuta...
Mulher: forte, ambígua, arguta
pura, suja, débil, tirana
são tantos adjetivos...


Rainha do lar, quanta panaceia!
Rainha violada e aviltada por seus súditos
onde se viu, tamanho absurdo!

Espezinhada, como se pudesse
ser transformada em vinho
nos bacanais de Dionísio.

Seus sequazes comem e bebem
trôpegos de prazer e euforia
seus sentidos embriagados
demonstram já enfado após
serem saciados nos mais
pervertidos desejos

agora é a hora do despejo
só seu sangue derramado
no chão da cozinha!

Me perguntaram se falo das
domésticas, não. Falo de qualquer
mulher, em qualquer posição na
sociedade hodierna.

São violentadas no interior
de seu castelo: o lar
lá fora podem ser alçadas
a qualquer distância ou direção

em casa, serão assassinadas
bem perto do fogão...
ou no quarto, eis que rainha
abre a guarda na intimidade.

Vânia de Farias
Fevereiro de 2016.
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
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MULHER

MULHER
Vânia de Farias

Hoje tirarei a maquiagem
todas as combinações
não aceitarei sermões
nem verdades desconcertantes.


Subirei ainda num mirante
para ver mais longe, bem distante
manterei contato com o futuro
não me manterei equidistante.

Meu passado de proibições
abusos físicos, quão psicológicos
atirarei em feixe, num zoológico
na área dos répteis perigosos.

Quero vê-los devorados todos
não permitirei mais nenhum golpe
machos e seus complexos absurdos
egos egocêntricos, obtusos!

Vê-los devorados, faz meu gozo
que se renovem em um homem novo
sinto asco, náusea, um enjoo
quero vomitar todo o engodo

viajarei por vales verdes, claros
em uma andorinha a gorjear
outros pássaros vieram me tirar
desse pântano tétrico, lancinante

não permanecerei mais por um instante
neste umbral de espectro horripilante
tenho pressa para me salvar
ser mulher apenas, triunfante!

Vânia de Farias
Fevereiro de 2016.
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
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ESPERANÇA
Vânia de Farias

Que futuro te aguarda, bela menina?
que cores pintarás teus belos sonhos?
não te deixarão no abandono
terás um sobrado colorido


sala de jantar, com grande mesa
onde encontrarás com teus amigos
e conversarás sobre história
dos antepassados, na memória

dos homens que sonharam n`algum dia
com a sua pátria em harmonia
equilíbrio e paz, entre as nações
homens se tratando como irmãos
filhos de uma terra abençoada...

Belo vaso posto na entrada
com flores andando pelo chão
a receber como digno anfitrião:
teus amigos, hoje convidados

sala de espera, com cadeiras
mesa lateral, aparador,
teus porta retratos, retratando
o que tu viveste com amor!

Teu hall terá belo vitral
com desenhos de Nossa Senhora,
Ave Maria, toca na vitrola
enchendo de paz, a quem chegar

Num cantinho uma escultura
de um D. Quixote em cerâmica
nos trazendo para a lembrança
um mundo de glórias principescas

onde o sonho, ganha realeza
pintado com cores coloridas
limpando e sarando as feridas
que trazemos em nossos corações

Também trazem um tempo de batalhas
de bravos soldados, em montaria
protegendo suas cercanias
território amado e sagrado!

Um mundo de sonhos e magia
com uma Dulcinéia, muito amada
dama bela, fina e recatada
encantando, belo cavalheiro

cavaleiro, e espadachim
Ah! Se tu trouxesses para mim
a transformação de nossos dias...
mesmo por momento ou por um dia!

Vânia de Farias.
Em janeiro de 2016.
Lei nº 9.610, de 19.2.1998 (Lei de Direitos Autorais)
Súmula nº 386 do STF
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O PESO DE MEU PECADO

O PESO DE MEU PECADO
Vânia de Farias.

Resolvi pesar o meu pecado
tão original, quanto esdrúxulo
mas me permiti ter este luxo
entender o peso em minhas costas:


a fome de um Adão tão assanhado
e a Eva? Mandona dominando
nem parece as mulheres de hoje em dia
que estão mortas ou morrendo a cada instante

Não entendo essa mudança  medonha
hoje o crime, a violência são os motes
umas morrem outras são violentadas
no seu físico, psiquismo ou de outros modos

onde estás, querida Eva poderosa?
Que não voltas a ensinar outras mulheres
a expulsarem esses homens do seu éden
e jogá-los em prisões, tétricas e fúnebres

já pensaste no peso que carregam?
ainda levam a culpa por teus atos
são ainda responsáveis pelos estupros
dos inúmeros e horrendos, assassinatos!

Quanto aos homens?
São só vítimas inocentes
cuja honra os impelem à atrocidade
agem sempre, copiando a tal serpente
enganando e envenenado a cidade

são os santos, ocos do passado
no presente só machismo e grosseria
violentos demonstrando valentia
com crianças e mulheres sem amparo.

Voltas logo, minha Eva a nos salvar
dessa sanha assassina e a galope
cujo emblema é uma maçã que virou passa
semelhante as mulheres que hoje sofrem.

Vânia de Farias.
Janeiro de 2016.

CIDADE COLORIDA

CIDADE COLORIDA
Vânia de Farias.
Resolvi colorir o meu varal
com as cores, variadas da empatia
azul clara, para minha alegria
ser a tocha a correr o mundo a fora

Eis a roxa: nosso espírito imortal
simbolizando, a vitória sobre a morte
onde vemos que o fraco vence o forte
nas batalhas bem travadas com o ego
a marrom nos trazendo a justiça
necessária nesta terra já sem bússola
que sejamos fortes, lúcidos, otimistas
sem pararmos ante o chulo e o esdrúxulo
nosso sangue, hoje escorre na cidade
pelos campos, pelos lares aviltados
nas batalhas pela nossa liberdade
precisamos avaliar com equidade
o vermelho desde muito derramado
vou pintar de azul cobalto o negro teto
e trazer mais amplidão para esse espaço
quero nuvens, quero pássaros num bailado
carregando nossas lágrimas para o alto
esmeralda pintarei os olhos teus
quando brilham a me olhares admirado
vejo amparo, e conforto de um ninho
sustentando minhas asas, já quebradas
verde água, pintarei esta paisagem
cujas cores, hoje ocres, me angustiam
tanta empáfia, tanto engodo e ambição
nos trazendo agitação e anarquia
De turquesa pintarei hoje o asfalto
que de rubro foi pintado por homicidas
homens rudes, despojados da guarida
concedida pela mente do inculpado
Vou pintar de rosa chá minha varanda
para quando nós sentarmos pro café
e um bolo de fubá, feito com o doce
extraído de meus sonhos de mulher
pintarei de verde agua nosso quarto
para a calma se instalar quando deitarmos
recebermos uma corte de anjos cálidos
nos trazendo as blandícies lá do alto.
E por fim, pintarei toda a cidade
com as cores quentes do progresso
que esqueçamos o impostor tendo sucesso
nesse instante de horror e iniquidade.
Vânia de Farias.
março de 2017
imagens Google.

RESOLVI TE ESCREVER

Resolvi te escrever
Vânia de Farias.
Hoje, resolvi te escrever
falar de coisas antigas
de memórias, do passado
que já se escondem na vida

falar das tardes quietas
naquela praça central
uma viola, um dedal
para bordar nossos sonhos
de beleza e segurança
para nós, e para os teus
a arte, nossa esperança
fio a ligar-nos a Deus.
Te encontrei naquele dia
mas o encontro não se deu
estavas, frio e abatido
pelas pancadas de vento
teu sonho se arrefeceu
O vento forte, arrojado
não perdoa os que dormem
acordam pra realidade
dos mortos, hoje acordados
estão vivos, sentem forte
sem o nosso escafandro
nos visitam, dão-nos o norte
é preciso ter ouvidos
para não transformar sonhos
em terríveis pesadelos
Para ouvir suas verdades
de que o sonho não acabou
ao encetar a viagem
partimos pra novo plano:
terminar o começado
renovar o que deixamos
é preciso ter estômago
para entender a vida
aqui estamos mais mortos
eis que mortos para a vida
para a vida imortal
despojados desse corpo
inspirando outros tantos
a não viverem quais mortos.
É preciso ter coragem
para enxergar mais longe
preparar bem a semente
e plantar sem abandono
regá-la com o desvelo
necessário ao crescimento
pra evitar o lamento
de uma colheita de enganos
É preciso paciência
suportar a dor acerba
a injúria, a soberba
dos irmãos de caminhada
se afastar sem odiar
preservar a integridade
sem revidar a maldade
que tenha te alcançado
pois é próprio do humano
as muitas quedas e paradas
preciso usar a enxada
pra aplainar os pedrouços
se esquivar dos estorvos
que queiram te impedir
de teu caminho seguir
com a fé raciocinada
é preciso a largada
perseverança e otimismo
levantar sempre o caído
que encontrares na estrada.
Vânia de Farias.
Em março de 2017